sábado, 15 de novembro de 2008


Oceano...
Um infinito espelho que sempre me seduziu..
Vagas lembranças da infância..sonhos de cruzar o horizonte..desvenda-lo
Momentos do início..dessa busca sem fim...
Tempos gastos com formulações sobre o Existir..
O vento sopra e traz-me o acúmulo de Invernos..
Já não sou uma criança..
Ao menos por fora..ao menos na casca que me cobre o rosto..
Nessa desconexão temporal..
Ao respirar sinto que os sussurros da juventude já se foram..
E para onde foram se não os tenho ? se não os tive ?
Vago os olhos sobre tudo que é jovem..
Busco um foco ausente (talvez perdido) em mim..
Onde estão os Sorrisos ?
Onde estão as tardes de ressacasas e gozos ?
Onde está o descompromisso com a Vida ?
Onde está minha face ?
Onde caminham meus sonhos e amores ?
O Tempo se arrasta lentamente...
E contrariamente traz-me o ensinamento de Eras..
Promove o desequilíbrio entre Carne e Espírito..
Afinal o que mais sou ?
No desencanto de assim ser..
Volto em face lúgubre para o abrigo de assim ver-me em companhia minha..
Talvez a única restante..
Hoje dou-me o luxo do lamento..
Abasteço o oceano com o líquido salino que também verto..
Não manifesto-os em face..trago-os nos olhos da alma..no silêncio das noites..
Em meu tragar..
Expurgo os excessos de sentir que me tomam..
Não mais quero ser pântano..não mais..
E já que não mais manifesto pranto em carne..
Deixo flui-lo em Espírito..em sigilo pleno..
Hoje, mais do que nunca confirmo a essência do que me Habita..

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