Em mais um forte esforço..deixo a cabeça elevar-se em contemplação...
Assim tento encontrar aquilo que não mais Creio..
Aquilo que em mim já é mais uma quimera morta...
Olhando para o Alto..inicio a minha Oração...
Senhor inexistente dos Miseráveis...
Ainda sendo um Descrente..quis seguir teus passos..
Dei valor ao que chamou de Amar o próximo..
Ainda soando em meus ouvidos um sopro soturno
Que negava toda a validade de tal ato...
Ainda sim em pura insânia seguir-te..
E hoje..volta a ti o Descrente...e lhe indaga
A glória do Amor é também Surreal ?
Está também contida no seu Castelo Etérico ?
Diz-me oh senhor dos Miseráveis..
Como manter viva a infima chama no peito ?
Como resistir a Descrença de mais esse Ato ?
Quisera eu ter tantas faces quanto possíveis..
Quisera eu que as Máscaras servissem de oferta..
Mas há em mim oh senhor uma teimosia demasiada..
Que não me permite velar minha face quando estou a Sentir..
A ti que diz-se Oni-tudo...vos pergunto
Qual a minha face ?
Há veneno nos meu afagos e lábios ? Odor nas minhas verdades ?
-Volto a face ao chão..
Ali há alguém que pode dar-me respostas..
Vejo mais um Deserto a me convidar...
Dunas feitas dos pós de meus sonhos Insinerados..
Talvez estejam contidas ainda as palavras de sentir ofertadas e recebidas..
Que agora fazem tanto sentido quanto essa Prece..
Volto a face...trazendo no peito um anseio de Pranto..
Quisera eu que em mim ainda houvesse a presença de tal Virtude..
Quisera eu o alívio que proponho aos demais...
Em face escorre lenta e densamente uma lágrima..
Inumana..negra..lúgubre..
Escorre em as paredes da minha face..
Adentra as fissuras da mesma...
Azeite Bendito do Senhor dos Miseráveis...
Unta minha boca..
Selando-a assim de qualquer Esperança..
Tranca-me no Silêncio do Mundo
Silêncio dos Vivos Mortos..
Silêncio doentio dos que Sentem..

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